No caso da revista Época, o jornalismo foi o grande perdedor

No caso da revista Época, o jornalismo foi o grande perdedor

Confirmada a demissão da cúpula da revista Época e esclarecido o motivo (saíram porque a empresa soltou uma nota se desculpando pela reportagem sobre a nota de Bolsonaro, depois de os próprios editores terem afirmado, em comunicado, que consideravam ética e correta a reportagem), cabe uma breve reflexão.

O erro é uma possibilidade constante em qualquer profissão e talvez bem mais perigoso e frequente no jornalismo, já que a atividade tem muitas vezes caráter subjetivo.

Jornalistas precisam analisar seu próprio comportamento o tempo todo. E ainda assim podem errar. Quando erram, precisam e devem ser humildes para reconhecer a falha. Quando conseguem isso, tornam-se jornalistas melhores.

No caso da nora de Bolsonaro, a reportagem e as atitudes posteriores à publicação tiveram, sim, algumas grandes falhas.

Primeiro, ao montar uma emboscada para coletar opiniões pessoais de uma pessoa que não sabia estar sendo monitorada pela imprensa nem tinha cometido nenhuma irregularidade que justificasse o anonimato do repórter.

Segundo, o próprio texto da matéria é fraco, sem nenhuma relevância. A única justificativa para publicar era o parentesco da personagem com o presidente. Aliás, com um filho do presidente.

Terceiro, o movimento de autodefesa dos editores diante da repercussão da reportagem mostrou que não tiveram a humildade de refletir sobre a possibilidade de terem errado. Aí, insistiram no erro.

Por fim, quando a empresa proprietária da revista reage e se desculpa pelos equívocos, a equipe, ao que tudo indica, toma a situação como uma questão de princípio jornalístico, ou político, como se defender a coleção de erros cometidos no processo fosse uma necessidade imperiosa e justificasse a cegueira diante dos fatos.

Teria sido mais inteligente assumir o erro, em algum momento do processo. Idealmente antes de publicar. Mas valia ainda até mesmo depois da nota da Globo. Todo mundo saiu perdendo. A revista ficou sem bons profissionais, assim como a empresa. Estes deixaram empregos de relevância e que podem vir a ser ocupados por gente menos qualificada. Os leitores perderam. O jornalismo perdeu.

 

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