Tirem os ineptos da conversa
Tirem o Bolsonaro, o Trump e outros ineptos da sala. A conversa é para adultos capazes de pensar logicamente e de entender a estratégia de enfrentamento da pandemia de uma doença que não tem cura nem vacina, é altamente contagiosa, exibe longo período de incubação e se espalha em alta velocidade. Para complicar, 80% dos infectados podem não exibir nenhum sintoma, tornando-se vetores de contaminação, e vão morrer de pneumonia entre 1% e 3% dos contaminados, conforme o país, as condições de saúde da população e, principalmente, a capacidade de atendimento nos sistema hospitalar para casos de alta complexidade.
Diante dessa realidade, Bolsonaro, Trump e outros ineptos tendem a acreditar que o custo econômico do isolamento social – a única maneira de reduzir a velocidade de expansão da epidemia – é alto demais e não se justifica, já que todos os seres humanos praticamente serão infectados e uma parte mínima da população vai morrer, composta principalmente de velhos doentes, cuja extinção até ajudaria a reduzir gastos com aposentadoria, benefícios sociais e tratamentos médicos.
A parte do problema que Bolsonaro, Trump e outros ineptos não conseguem entender e que não seria possível explicar para eles, dada a limitação intelectual, é que as restrições praticamente totais de circulação e contato social são necessárias apenas na primeira fase de combate à pandemia e se destinam apenas a ganhar tempo para ampliar o sistema de atendimento até o limite do possível.
Mas a mera divulgação de um plano desse tipo já comprometeria o processo, uma vez que milhões de pessoas – como Bolsonaro, Trump e outros ineptos – recusariam o confinamento, por se considerar de baixo risco letal, e poriam a perder tudo o que está sendo feito.
Trata-se, portanto, de um confronto entre o grupo que está em pânico por causa dos reflexos na economia – Bolsonaro, Trump e outros ineptos – com médicos e especialistas que pretendem salvar um número maior de vidas e estabelecer um processo gradual de exposição ao contágio.
Há ainda um aspecto que Bolsonaro, Trump e outros ineptos são incapazes de considerar, determinado pelo fato de que 1% dos casos de evolução grave da doença são representados pela população abaixo de 49 anos. Quando mais rápida for a disseminação da epidemia, mais gente nessa faixa abaixo da linha de risco será velozmente contaminada. Como os leitos de UTI já estarão tomados, também esses correrão maior risco de vida.
Se essa condição atingir 0,1% da população brasileira, serão 80.000 casos de alto risco apenas entre adultos em idade produtiva – aos quais se devem somar ainda os idosos com problemas correlatos de saúde. O total de hospitalizados já não se contariam em milhares – mas em milhões. Não há UTIs, sistema de saúde ou mesmo serviço funerário que dê conta de uma situação tão arriscada. Mas isso não é compreensível para Bolsonaro, Trump e outros ineptos.
Alguém consegue imaginar o risco de colapso e de revolta social se houver alguns milhares de pessoas em estado grave aguardando vaga numa fila de UTI que só faz aumentar? Escritores e cineastas nem precisaram ser muito imaginativos para criar cenários do tipo. Cientistas e estudiosos advertem para essa possibilidade há muito tempo. Bolsonaro, Trump e outros ineptos acham que é apenas ficção, como o aquecimento global e a esfericidade do planeta.