Caracas! Que tiro foi esse? Qual será o próximo abuso de Donald Trump?

Como Putin, Hitler e Napoleão, Donald Trump invadiu uma nação soberana para atender a interesses econômicos. Qual será o próximo país de sua lista?
A invasão da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro é um problema para o Caribe, neste momento, para a América Latina, a curto prazo, e para o mundo inteiro, muito brevemente. O evento viola leis internacionais e até mesmo a legislação americana, porque o presidente nem mesmo se deu ao trabalho de pedir ao Congresso de seu país autorização para realizar o ataque a uma nação estrangeira.
Neste momento, a ação, que pode ser classificada como ato de terrorismo de Estado, põe em evidência uma quantidade enorme de dúvidas a ser esclarecidas nas próximas semanas. As principais: a) qual será o próximo lugar que o presidente Trump atacará, sob pretextos tão insustentáveis quanto o que usou para violar a soberania venezuelana — a Colômbia, a Groenlândia, o México?; b) como reagirão China e Rússia, que pareciam estar apoiando Maduro, mas têm a oportunidade de aproveitar a deixa para agir do mesmo modo em Taiwan e na Croácia, respectivamente?; c) o Conselho de Segurança da ONU, que é oficialmente manietado por essas três nações, agirá de algum modo — e, pretendendo agir, haverá algo que possa fazer?
É óbvio que Maduro conduzia uma ditadura e submetia os venezuelanos a um governo pusilânime, empobrecedor e violento. No entanto, se a política internacional passar a ser feita exclusivamente pelo uso do poder armado, como de fato esta situação parece ameaçar, poucas nações poderão se considerar realmente seguras e à salvo da sanha de uma dessas três potências.
Não é a primeira vez que Trump demonstra uma visão de mundo coerente com a que George Orwell ficcionou no clássico 1984. Ele definitivamente mostra acreditar que o mundo se divide em apenas três “continentes” e age para consolidar sua Oceânia, enquanto Putin avança na Eurásia e a ditadura chinesa tem a chance de consolidar-se na Lestásia.