O Supremo Tribunal Federal se tornou partido ou casa de tolerâncias?

Os ministros, que começaram o ano diante da possibilidade de discutir um código de ética, estão agora às voltas com a adoção de uma omertà que proteja do conhecimento público tudo o que fazem por baixo da toga. E, pelo jeito, tem muita coisa escondida aí
O STF não se tornou um partido porque políticos, como se sabe, disputam eleições. Os ministros são nomeados pela Presidência e ocupam cargos vitalícios. Mas nem por isso deixam de se comportar corporativamente na defesa de interesses pessoais, exatamente como fazem os partidos.
André Mendonça, quem diria, indicado por Jair Bolsonaro, decidiu proteger José Antônio Dias Toffoli, indicado por Lula. Talvez já pense no dia em que ele próprio vai precisar de proteção. Da forma como evoluem as questões no STF, essa é uma possibilidade efetiva.
Blindar dois irmãos de Dias Toffoli em relação à CPI do crime organizado é, não apenas uma medida corporativa, mas também aparentemente inconstitucional e, portanto, ilegal. A CPI tem autonomia sobre quem pode convocar. Só há exceção para integrantes de outros poderes.
Os irmãos de Toffoli, ao que tudo indica, laranjas de seus investimentos hoteleiros e negócios com banqueiro fraudador de mercado, têm certamente muito a contar sobre como funciona o lado empreendedor do ministro. Por enquanto, permanecerão escondidos sob as togas supremas.
E o mesmo André Mendonça passou recibo completo de politização e até ação eleitoral quando deferiu a quebra de sigilo bancário de Lulinha para a PF. Neste caso, não há dúvida de que o sigilo deveria ser quebrado. Mas, se parente de um pode ser investigado, parente de outro, do mesmo modo, deveria poder também.
Mas, no fundo, não é nada surpreendente o comportamento de André Mendonça depois de o colegiado ter dado um atestado de reputação ilibada a Toffoli ao mesmo tempo em que o forçava a abrir mão da condução do inquérito do Master.
Enquanto esse circo se apresenta, Alexandre de Moraes I vai ampliando o seu inquérito das fake news até o limite da circunferência do globo terrestre e se mantém calado quanto a seus próprios interesses relativos ao banco Master. Como outros ministros, ele torce mesmo é para que os holofotes estejam direcionados para outro lugar.
ADENDO
Horas depois da publicação deste texto, o ministro Gilmar Mendes – aquele que arrecada recursos sob as vendas da Justiça de qualquer tipo de patrocinador para seus eventos no Exterior – cancelou a quebra de sigilo de empresa de Toffoli e seus irmãos por parte da CPI.
O Supremo não vai mesmo tomar jeito. A questão já se aproxima de ação em quadrilha.