Entre duas eleições, um país completamente diferente
SÃO PAULO — Na última vez em que os brasileiros foram as urnas para eleger um presidente da República, o país ainda saboreava a euforia da inauguração recente de Brasília e pouco atentava para a dívida externa, calculada pelo Fundo Monetário Internacional em US$ 2 bilhões. Faz hoje exatamente 29 anos desde que, naquela segunda-feira, 3 de outubro de 1960, um colégio de exatos 15.543.332 eleitores, equivalente a menos de um quarto da população total de 66.203.000 habitantes, foi convidado a escolher entre Jânio Quadros, candidato de uma coligação oposicionista em que brilhava a implacável UDN, o marechal Henrique Teixeira Lott, do situacionista PSD, e Ademar de Barros, do PSP. Entre o Brasil daquele tempo e o de hoje há uma diferença comparável à que separa os atuais microrrádios embutíveis no ouvido dos mais avançados aparelhos transistorizados da época, com seus 20 centímetros de largura. (Texto publicado no Jornal do Brasil.)