Ministério de Bolsonaro é um cacho de bananas – nada mais que o esperado

Ministério de Bolsonaro é um cacho de bananas – nada mais que o esperado

Dê ao presidente um limão. Ele fará uma bananada. Não é por acaso que há uma constelação de incompetências e inutilidades contribuindo com este governo

O ministro Marcelo Queiroga é um banana. Todo mundo já tinha percebido isso, mas ele deixou a condição ainda mais clara na última quinta-feira, dia 16, na live de Bolsonaro em que admitiu ter atendido ao despropositado parecer do presidente quando determinou a suspensão da vacinação de adolescentes contra a Covid-19.

O banana já se havia revelado um boneco de ventríloquo em outras ocasiões, sempre tentando fazer parecer técnicas as besteiras perpetradas por seu ministério a pedido do curandeiro provisoriamente instalado na Presidência da República – prescritor de cloroquina, agente turístico da célebre viagem em busca do spray nasal israelense e, mais recentemente, defensor da proxalutamida.

Mas, a bem da verdade, Queiroga não está sozinho nessa bananeira. Pelo contrário, tem muita companhia. É só uma das frutas passadas que compõem o grande cacho de bananas escolhido por Bolsonaro para compor seu ministério.

Paulo Guedes possivelmente é o maior dos bananas dessa penca – verdadeira musa ingens da Nova Guiné plantada no planalto central.

Na campanha e no início do governo, deu o aval econômico de que Bolsonaro necessitava para iludir parte do eleitorado e, agora, com uma coleção de fiascos e fracassos no currículo, agarra-se ao ráquis como um náufrago a uma boia de emergência. Ráquis – esclareça-se – é o eixo em que ficam presas as bananas. Boia – esclareça-se – neste caso é o saco de chumbo em que se transformou o governo Bolsonaro.

Com Guedes e Queiroga, arrastam o Brasil para o fundo do oceano muitas outras figuras adubadas no entorno governamental.

Bananosa, mais do que vexaminosa, é, por exemplo, a situação em que deixa o país o ministro do turismo, Gilson Machado, sanfoneiro e louvaminheiro do presidente, recentemente enviado a Roma como representante possível da cultura na era bolsonariana.

Lá, brindou os conferencistas da área integrantes do G-20 com avaliações sobre preservação ambiental referenciadas em axiomas religiosos.

Machado trava uma disputa, em nível de constrangimento, com a atuação do secretário da pesca, Jorge Seif Jr., autointitulado filho adotivo de Bolsonaro, o “zero seis”, um egrégio representante do que há tempos se chamava de bocó de mola, sinônimo não por acaso do adjetivo banana.

Tecnicamente encarregada da área governamental responsável pelos cultivos em geral e das bananas em particular, a ministra da agricultura, Tereza Cristina, não é menos banana do que os colegas, como gosta de parecer, já que, cada dia mais, vai permitindo que o festejado agronegócio nacional confunda-se com o agrotrogloditismo bolsonariano queimador de florestas, invasor de terras indígenas e especulador de commodities.

Cada vez mais escondida, em parceria com o titular do meio ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, e o das relações exteriores, Carlos Alberto Franco França, forma com eles uma banana trilipe cuja casca é insuficiente para encobrir a vergonha de pertencer a este governo mas com polpa sem fibra suficiente para resistir ao apodrecimento moral que ele patrocina.

Descascadamente orgulhosos da proximidade com o pendão fascista que puxa para baixo toda a bananeira, Damares Alves, da cidadania, Braga Neto, da defesa, Luiz Eduardo Ramos, secretário da presidência, Milton Ribeiro, da educação, e Augusto Heleno, do gabinete de segurança institucional, são as mais amarelas e viçosas frutas do bananal, exemplares que ainda restam dos vendavais que levaram ao chão Weintraub, Pazuello, Welles Rodriguez, Ernesto Araújo, Ricardo Salles e outras vítimas de fungos diversos.

Também são bananas os que são pouco lembrados como tal por manter-se na sombra da ineficiência ou militar no marolismo político – a arte de parecer fazer muito quando se faz de fato o mínimo possível. Diversificado em espécimes que vão da (ação) nanica à (insípida) maçã, passando pela (falsa) prata (boliviana) e pela ouro (de tolo), esse pacote reúne Rogério Marinho, o tocador de obras que custam pouco e não resolvem nada, Anderson Torres, cujo principal atributo parece ser a semelhança com Gilberto Kassab, e Fábio Faria, de sobrenome apropriadíssimo a seu potencial.

Completam o cacho os embananados Onyx Lorenzoni, ministro de qualquer coisa que Bolsonaro precise, estabelecido no governo a preço de banana, e Ciro Nogueira, nematóide simbiótico da bananeira federal – parece banana, mas é bem pior do que isso.

E, sim, claro, há também a única banana cosmonáutica conhecida, na figura do ministro Marcos Pontes, de cujo ministério vão para o espaço, por ausência de gravidade e de jurisdição, todas as verbas que deveriam sustentar a ciência e a tecnologia nacionais.

Nada, porém, deveria surpreender menos o país do que essa constelação de inutilidades e incompetências que assessora um presidente alérgico a qualquer possibilidade de sombra à sua própria boçalidade.

Dê a Bolsonaro um limão. E ele fará uma bananada.

Bananas e bananeiras estão na vida do presidente desde que ele, menino, brincava nos bananais do Vale do Ribeira.

Seu gesto político mais relevante, como se sabe, é dar bananas para qualquer coisa ou situação que exija de si algo mais do que um discurso autoritário, seja o STF, seja a imprensa, sejam as vítimas da Covid-19.

Imbuído da missão de materializar o Brasil como uma verdadeira república de bananas, Bolsonaro tem lugar garantido na história como o sujeito que nos fez escorregar na maior casca de banana já catalogada.

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