O lulismo e a armadilha mais do que dramática da personalização

O lulismo e a armadilha mais do que dramática da personalização

Que o país está e seguirá polarizado entre seguidores de Bolsonaro, do lado direito, e de Lula, do lado esquerdo, não há a menor dúvida. Mas é preciso estabelecer uma nomenclatura correta para ler as pesquisas a respeito, como a que o Datafolha divulgou no final do ano.

Ao tratar os discípulos do capitão golpista personalisticamente como bolsonaristas e os adeptos do atual presidente genericamente como “petistas”, em vez  de lulistas, adota-se uma comparação que, além da falha técnica, contém um equívoco com consequências talvez graves para a leitura correta do drama brasileiro.

Afinal, assim como o bolsonarismo não alcança toda a direita e, hoje, nem mesmo o seu PL, o lulismo não alinha todas as cabeças do partido do atual presidente e menos ainda, naturalmente, o que costuma chamar de esquerda.

A distinção é necessária principalmente porque o PT é uma partido de fato, ainda que dominado nas linhas de comando por pragmáticos que topam a descaracterização em nome da eficiência eleitoral — e é essa condição que estabelece, dentro da agremiação, o lulismo.

Na prática, o lulismo é o mais eficiente adversário do PT no médio prazo, por tudo que a personalização representa como risco antidemocrático. Um quarto mandato de Lula pode representar o túmulo definitivo da mais legítima expressão partidária das últimas décadas no país.

Essa situação representará o fracasso absoluto na criação de novas lideranças, o triunfo do culto à personalidade e mais anos e anos de polarização e insegurança para a democracia.

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